Fichamento sobre "Teoria do não-objeto" de Ferreira Gullar
Obra de Miguel Ángel Belinchón Bujes
Ao longo da história da arte, o objetivo dos artistas era de criar A obra - isto é, buscavam inovar a cada obra produzida, o que resultou no distanciamento dos conceitos originais arte. Assim, observa-se o abandono do neoclássico e o surgimento de novos movimentos artísticos que, pouco a pouco, introduzem uma nova forma de libertar-se do convencional: a abstração.
Inicialmente, o impressionismo passa a retratar a percepção de espaços e objetos em vez de representações realistas. No entanto, o objeto permanece como um elemento central, o que impede um rompimento completo com as tradições artísticas. Em seguida, surge o cubismo, que elimina o objeto e o substitui por formas geométricas. Porém, essas formas não deixam de ser representações de objetos, sendo classificados como "quase-objetos".
Mais recentemente, o dadaísmo e surrealismo, que trabalhavam muito com a ideia do irracional, conseguem criar um primeiro contato com a ideia do não-objeto. Mas, afinal, o que é um não-objeto?
O não-objeto (NO), primeiramente, não é sinônimo de antiobjeto. Ele não se opõem ao objeto; ao contrário, pode ser entendido como puro aspecto sensorial do objeto. Diferentemente do objeto - algo com função estabelecida e ligado aos usos cotidianos -, o não-objeto não possui um função clara. É como se o NO fosse transparente, e o objeto opaco: a percepção do primeiro é livre, aberto à interpretação do observador-usuário, enquanto o outro se esgota de significados, pois é fácil de enxergar o que ele é.
Apesar de ocuparem o mesmo espaço, o NO dá significado ao espaço que habita, enquanto o objeto utiliza o espaço como palco para se apresentar. O NO ocupa o espaço, mas rejeita um fundo de tela, base ou moldura, porque ele não representa algo, ele mesmo se presenta ao observador-usuário.
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