Crítica dos trípticos Luz, sombra, transparência e reflexo
Crítica e análise das fotografias da Maria Eduarda Brandão dos Santos
A primeira imagem (à esquerda) tem como protagonista o objeto, e não a sua sombra — que nem sequer aparece na imagem. Esse objeto, de linhas retas, é iluminado, com algumas dobras mais sombreadas que outras, sobre um fundo preto. A imagem apresenta equilíbrio entre sombra e luz, por conter diversas intensidades de iluminação, desde o branco do objeto até a escuridão do fundo.
O mesmo não vale para a segunda e terceira imagens (à direita), que apresentam um efeito estourado da luz, o que pode tornar as fotografias visualmente desagradáveis por causa do desequilíbrio. Apesar disso, a segunda imagem (acima, à direita) funciona como uma transição entre a primeira e a terceira. Isso porque o foco da imagem continua sendo o objeto, mas agora há a presença de sua sombra. Vemos apenas uma pequena parte dela, o que faz a imagem parecer incompleta.
Nesse momento, olhamos para a terceira imagem (abaixo, à direita). Ela ainda apresenta o objeto, mas o foco principal passa a ser a sombra, que ocupa metade do quadro. Assim, a presença das sombras dos objetos se torna cada vez mais definitiva a cada foto.
É interessante observar também como a terceira sombra não é bem definida, assim como o item que a gerou — misterioso, com curvas e dobras sobre si mesmo. Por isso, não conseguimos entender claramente como ela formaria uma sombra como essa. Isso torna a imagem interessante de olhar, pois o espectador é atraído pela tentativa de decifrar o enigma de como essa sombra surgiu.
Na primeira imagem, vemos que o objeto de material transparente possui uma estrutura circular. Enxergamos uma parte desse círculo que ele parece formar. Nele, devido à sua transparência e superfície texturizada, ocorre um jogo de luz e sombras, de reflexo e refração, que torna a imagem esteticamente agradável de se observar.
Já na segunda imagem, o material tem uma forma abstrata e parece repousar sobre um tecido que reflete bem a luz, como o cetim. A combinação do material transparente, semelhante a vidro ou diamante, com o tecido confere uma estética luxuosa. No entanto, o uso do tecido desvia o foco do objeto, pois quebra o ritmo estabelecido nas outras fotos, em que o material transparente é o protagonista. Assim, ela se torna a "ovelha negra" do trio. Por outro lado, o borrão branco — que sugere que algo passou rapidamente em frente à câmera — cria um ar de mistério na imagem.
Finalmente, a terceira imagem novamente traz um objeto indefinido, mas agora ele preenche toda a composição e parece envolver a câmera, como se estivéssemos rodeados pelo material. A luz cria sombras que se intensificam à medida que o olhar sobe. Ou seja, há um equilíbrio entre a parte inferior, mais clara e borrada, e a superior, mais escura e nítida. Essa transição captura o olhar do observador.
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